medicamentos com desconto

Postado em Uncategorized em 22/10/2009 por fmissali

um homem estava sentado

resolveu – levantou-se

e caiu…

ficou então, sentado

apenas

pra levantar novamente

memórias da cidade

Postado em Uncategorized em 30/06/2009 por fmissali

Mesmo quando a chuva cessa as pessoas insistem em manter o guarda-chuva aberto.

875-H

Postado em Uncategorized em 23/06/2009 por fmissali

A garota ao lado flutuava em indie rocks, numa mistura incompreendida em pequenas notas soltas ao refluxo do ouvido, e eu, me ative apenas do rejeito do som que transbordava pelos labirintos da pequena garota de all-star branco.

Movia-se vazia e abstraída pela janela do ônibus, lá fora eles estavam de ternos, relógios e sapatos altos. Mas ela não tinha essa ambição – creio eu – ela estava confortável e parecia bêbada, delirando no jorro de êxtase que saltava dos fones de ouvido.

Eu sabia seu caminho, ela iria descer na paralela a PUC, isso era claro naquele momento, mas me coloquei a descobrir qual curso. Comecei pelos óbvios, mas antes mesmo de começar a jogar, seu telefone iniciava uma série de sons guturais e a mão da garota revela o livro que estava por baixo, era ninguém menos que o bom e velho Sartre, dando as caras por ali, sentindo a mão quente da garotinha.

Na verdade eu esperava que ele lhe desse uma boa lição apenas, revelando a angustia a própria moça. Acho que ele deve estar cansado de dar lições, ou melhor, eu acho que ele não faria isso, Sartre chega a ser ignorante em seus discursos e é capaz de falar na nossa cara “você é nada” e resuma-se a isso caríssimo leitor.

Pois bem, ela apenas me pediu licença, colocando em prática sua existência e saltou daquele ônibus vazio me deixando na companhia de mais quatro ou cinco humanos, que espalhavam-se pelo interior. Depois disso eu me cansei de qualquer brincadeira interna e observei a paisagem…

amanhã talvez

Postado em Uncategorized em 05/06/2009 por fmissali

Meu quarto é exílio por opção. Neste momento me encontro desempregado e com absoluto remorso por estar deitado nessa cama.

Fecho a janela para não participar do mundo – não me interessa carros, vento, homens de terno, computadores – eu quero ser engolido pela cama e que me levem junto aos penhores.

Ainda me resta um trocado para o café e para minha ultima boa refeição, calço os sapatos e me ponho a andar pelo lado direto da rua.

Não andava por aqui neste horário por muito tempo, o sol parece tão saudável agora. Me sinto numa cidade oculta, uma terra que só conhecia após o expediente. Igrejas, edifícios, teatros e largas avenidas – tentei suavizar minha angustia pelo estado contemplativo que me colocava diante desses espaços.

O cego e sua sanfona de oito baixos, sentado na soleira da loja, engana os transeuntes com melodias melancólicas. Ao seu lado um café, sento e espero por ser atendido. O garçom, livre de qualquer inquietação traz consigo o cardápio e seu gesto maquinal – gostaria de olhar o cardápio senhor – olha para a minha cara, ajeita sua camisa e volta-se para o balcão.

Café posto sobre a mesa, sinos, bicicletas, pessoas por todos os lados, alias, como há pessoas nesse mundo, sou tomado por uma ligeira náusea.

Os pombos ficam embaixo das mesas na expectativa sôfrega de uma migalha, assim como os homens desses dias. Acostumados as migalhas que tomam como nome de “felicidade” ou de “amor”.

Do céu encoberto descia uma luz magenta e eu não tinha mais nada, nem uma migalha que fosse, naquele momento não podia ir mais longe. Fiquei certo que minhas impressões ficariam por ali, naquele café nojento do centro da cidade, ou teria o cego posto pra fora toda a angústia do século do desespero…

ultima palavra

Postado em Uncategorized em 29/05/2009 por fmissali

e Deus disse:

luz

e

fez-se a luz…

epifania

Postado em Uncategorized em 20/05/2009 por fmissali

Ao meu lado minha esposa chora e meus filhos também, alias, para minha surpresa todos choram. Alguns soluçam, outros apenas deixam correr a lagrima insistente e outros fixam o olhar e colocam-se a divagar sobre mim, mas no fundo eu sei que estão se imaginando na minha situação.
O dia é sábado, véspera do apático domingo, o dia em que tudo funciona contra vontade.
As pessoas não tardam a ir me visitar, chegam de todas as partes, geralmente acompanhadas pela família. Debruçam-se sobre meu peito e choram um pouco mais até terem a certeza de que não estou funcionando regularmente. O corpo vazio e a imagem estática comove a todos, aquele que ontem estava completo, outrora está vazio e obsoleto.
O chefe que nunca suportei e a secretaria que nunca degustei, todos estão ali, até o Albertino, amigo de infância que me traíra por uma garotinha feia se fez presente. Mas, pela primeira vez em muitos anos me senti tão importante, uma pena essa felicidade ter fim breve, logo mais serei definitivamente posto a terra.
Esses últimos momentos até que não são de todo mal, jamais imaginava ter comovido mais que vinte pessoas que me assistem aqui deitado com um terno azul-marinho nesse pobre velório, esse dia se tornou o da verdade.
Pois é, o sonho de todo homem é ir ao próprio velório.

tudo tem cura

Postado em Uncategorized em 16/05/2009 por fmissali

tenho que reconhecer a sagacidade dos publicitários…

calvos

dica !

no café Paris…

Postado em Uncategorized em 14/05/2009 por fmissali

      O homem tatuado recostava na parede, tomou o copo de leite e fumou o cigarro vagabundo de costume .

      Na minha pouca simpatia manifestei interesse e balancei a cabeça num breve sintoma de cordialidade, ele não respondeu, apenas mantinha a boca fumaçenta e a dentição estorvada com um pedaço de pão.

     Eu só precisava do meu café preto, essa sim era a questão fundamental para que eu estivesse ali, na verdade, não sei porque tomei atitude besta de cumprimentar o homem tatuado – ele não me oferece interesse algum – e afinal não é esse o axioma da vida.
      - Gê, deixe me contar um negocio…
      

      Assim iniciei meu discurso ao garçom, contei-lhe sobre a mulher que tivera ontem, era filha de judeus, mas pelo que dissera não havia se atentado as tradições da familia, preferia viver entre nós. Só me aborrecia em suas conversas livrescas que tivera na academia e que, ao meu ver, tentava se mistificar bem na minha frente, como se eu não soubesse do que ela discursava, pobre femeazinha…mas deixei que ela me falasse a noite toda, sempre com cara de novidade ela se enchia de graça.
      

       - Mas como ela era na cama – perguntou Gê no ápice da curiosidade.
      

      Não exitei em enaltecer minha vaidade, mas deveras ela era muito bonita, cabelo dourado em cachos, peito leve e de obros largos, tinha fascinio por esse tipo, mas pouco performatica na cama, apenas uns leves sussuros, acho que ela gostava mesmo era de tirar a roupa, como se isso a afirmasse como mulher liberta.
      

      Gê já estava as voltas, adorava historias libertinas, vibarava como se fosse o protagonista, sentia na pele a reprimenda pela sua condição e seu fracasso intermitente com as moças.
     

      Não tive como não notar, mas o homem tatuado ouvia a contragosto minha historia com a judia, até que ele parou de mastigar o pedaço de pão e bateu com o copo no balcão de vidro, só eu notei sua euforia.
     

      No caminho do trabalho fui obrigado a ter pena do homem tatuado e de sua tatuagem desbotada com nome rapariga.

poema tv

Postado em Uncategorized em 12/05/2009 por fmissali

ontem a noite

a vista parda

estorvou o sono do coitado

e ele não viu

o programa de tv

e lamentou

e pediu a Deus

que

o levasse dali pra sempre

e que a vida sem tv

não tem graça não

na manhã seguinte

nem uma palavra miserável…